Curitiba

Centro de Mídia Independente

1988 - Governo ataca professores com a cavalaria

Agosto de 1988

Os professores da rede pública de ensino, em greve desde o dia 5 daquele mês, reivindicavam a volta do piso de três salários mínimos, reduzido para dois salários em 1988. Com o objetivo de forçar uma solução mais rápida para a paralisação, que já completava 11 dias, os professores ocuparam a Assembléia Legislativa, onde permaneceram até o dia 31.

Josias Fagundes foi um dos manifestantes que acamparam na Assembléia durante a greve. Ele conta que a principal dificuldade foi a falta de negociação. O então governador Alvaro Dias (na época do PMDB) não aceitava negociar com os professores enquanto as aulas não fossem retomadas. “Éramos 40 pessoas e ficamos vários dias acampados dentro da Assembléia Legislativa, um tempo de greve muito grande e sem negociação”.

No dia 30, houve o encontro dos núcleos regionais do sindicato na Praça Tiradentes e uma passeata até a sede do governo, onde os professores foram recebidos pela cavalaria da Polícia Militar com gás de pimenta e bombas de efeito moral. “Foi a maior passeata que eu presenciei como professor. Eram cerca de 30 mil pessoas, uma verdadeira multidão empurrando de um lado e os policiais com cavalos e bombas do outro lado destruíam as barracas dos que estavam acampados” completa Fagundes.

Confronto com a Cavalaria e Tropa de Choque

Gisele Schnorr era aluna do magistério na ocasião e conta que a ação dos policiais foi violenta. “A maioria dos manifestantes eram mulheres e muitas menores de 18 anos, alunas do magistério que acompanhavam os professores na paralisação”. Hoje professora da rede pública, Gisele considera que a manifestação foi conseqüência da falta de diálogo com o governo.

Os manifestantes tiveram dois confrontos com a Polícia Militar. Foram impedidos entrar na praça Nossa Senhora de Salete com carro de som e tiveram que desarmar as barracas que formavam o acampamento. “Foi muito pavor, bombas estourando por todos os lados, correria generalizada, parecia uma guerra”, conta Gisele. Ela explica que muitos professores ficaram feridos, o que não impediu a ação da polícia. “Foi uma truculência, pois nós mesmos é que educávamos os filhos dos policiais que estavam nos reprimindo”, diz Fagundes.

Hoje em dia

“Se o governo não resolver o reajuste dos professores e funcionários e o plano de carreira, nós vamos entrar em estado de greve”, adianta a presidenta Marlei Fernandes de Carvalho, que sintetiza o que foi discutido com todos os núcleos sindicais na reunião extraordinária do Conselho Estadual no sábado 18 de agosto de 2012.

Confira o calendário:

28 / 08 - Panfletagem com carta aos pais e à comunidade explicando os motivos da paralisação
29 / 08 - Aulas de 30 minutos com debates nas escolas
30 / 08 - PARALISAÇÃO, PASSEATA E ASSEMBLEIA

A concentração da passeata inicia às 09h, na Praça Santos Andrade. A assembleia será às 14h30 na Sede Social do Paraná Clube (Av. Pres. Kennedy, 2377, entrada pela Rua São Paulo, bairro Guaíra).

Vários materiais estão sendo produzidos: faixas, adesivos, panfletos e jalecos. O vídeo dos 65 anos da entidade também será usado para incentivar a mobilização.

Os compromissos

O governo do estado se comprometeu a dar um reajuste de 19,55% ao magistério parcelado até outubro - índice necessário para se cumprir a Lei do Piso. A primeira parcela, em maio, foi a reposição da inflação (5,1%). A segunda parcela, de 6,66% deveria ter vindo em julho.

O governo ainda prometeu mais 3,54% para os funcionários (que é a diferença para o salário mínimo regional) - apesar da APP ainda defender os 8,59%.

Após o alerta do Tribunal de Contas, o governo travou as negociações. Apesar do Limite da LRF não significar falta de recursos.

Além disso, ainda não foi encaminhado o projeto de lei com o novo plano de carreira dos funcionários e estado está devendo promoções e progressões.

“Se o governo resolve isso, manteremos o estado de alerta até cumprir todos os itens da pauta até dezembro. Inclusive já vamos fazer as manifestações sobre a hora-atividade”, explica Marlei. A promessa é que os 33% estejam implantados no ano que vem.

Comments are closed